quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Contos Infantis - Ferreiro da Maldição




Era uma vez... Um ferreiro muito pobre que tinha muitos filhos. Era tão pobre, mas tão pobre que seu apelido era “Ferreiro da Maldição”, pois quando não lhe falta o ferro, falta-lhe o carvão. E era assim mesmo... O dia que tinha ferro para trabalhar, não tinha carvão. O dia que tinha carvão, não tinha ferro. E assim passava os dias sem trabalhar.
Sem ter o que comer, os filhos morrendo à fome, um dia saiu de casa disposto a por um ponto final em toda aquela miséria. Faria o que fosse necessário para arranjar pão.
- Roubar? Só em último caso - pensava ele, mas até isso estava disposto a fazer, só para não ouvir os seus filhinhos a chorar de fome.
Pedia esmola a todos que encontrava. Andou o dia todo mas, pelo jeito, devia ser maldição mesmo, porque nem um pedacinho de pão conseguiu.
Já fazia o caminho de volta quando encontrou com um sujeito estranho, mas muito bem trajado, ao qual pediu esmola. O sujeito perguntou-lhe por que ele andava a pedir esmolas se naquele lugar tinha tanto trabalho para toda a gente.
Ele contou a sua vida e a sua desgraça. Andava a pedir esmolas porque tinha os filhos a morrer de fome e havia alguma coisa estranha que o impedia de trabalhar.
O ferreiro não sabia, mas o tal sujeito que encontrara no caminho era o diabo. Este disse que lhe daria tudo o que precisasse mas, em troca, ele devia lhe dar três gotas de sangue do seu dedo mindinho da mão esquerda (o diabo não gosta de nada que é direito) e que depois deveria obedecer a qualquer chamada que ele fizesse, fosse aonde fosse, estivesse onde estivesse.
O ferreiro da maldição não tinha outra alternativa senão aceitar a proposta do ”bondoso senhor”. Deixou o diabo tirar as três gotas de sangue do dedo mindinho e saiu mais animado, na esperança de conseguir dias melhores para ele e sua família.
Ao chegar em casa contou para a sua esposa o encontro que teve com o dito cujo e o excelente negócio que havia feito (o bem estar de sua família por três gotas de sangue).
A esposa logo reconheceu que aquilo era coisa do diabo e falou para o marido:
- Ah home! O que é que tu foste fazer! Olha que isso é coisa do diabo! Tu vendeste a tua alma para o satanás.
E o ferreiro respondeu a esposa:
- Tenho fé em Deus que eu ainda hei de me salvar.
Daí por diante nunca mais lhe faltou coisa alguma. Sempre lhe aparecia ferro, carvão e serviço. Ganhava muito dinheiro, tinha muita saúde e já se considerava um homem rico.
Um dia estava ele a trabalhar na forja quando apareceu um garoto com um recado:
- O homem que encontrou há tempos e que negociou com o senhor três gotas de sangue de seu dedo mindinho da mão esquerda manda-o chamar.
O ferreiro da maldição continuou a malhar o ferro e disse para o garoto:
- Óh rapaz. O teu pai fica mandando crianças para falar comigo. O meu trato foi com homem, não com criança.
Como o garoto disse que não ia embora sem uma resposta, o ferreiro da maldição começou a malhar o ferro com mais força e espalhar faíscas para todos os lados.
Logo o garoto saiu de lá todo chamuscado com os salpicos de ferro em brasa e foi contar para o diabo tudo o que acontecera.
O diabo então mandou um homem:
- O meu patrão, que é o homem com quem o senhor negociou três gotas de sangue do seu dedo mindinho, mandou avisar que é para o senhor ir falar com ele.
- Não vês que não posso sair daqui? - dizia o ferreiro da maldição. - Tenho a minha forja quente e não tenho tempo a perder.
Como o homem teimava, o ferreiro começou a malhar ferro com toda a força. As faíscas salpicaram e queimaram o homem, que sacudia a roupa por todo o corpo. Voltou correndo para o inferno e contou para o diabo os apuros que tinha passado.
Então o diabo decidiu-se:
- Pois agora vou eu. Quero ver se esse Maria-mijona (por causa do avental de couro, largo e comprido que ele usava) vai ter coragem de me enfrentar.
Quando encontrou o ferreiro o diabo foi curto e grosso:
- Eu venho aqui para te buscar.
Mas, o ferreiro da maldição não estava disposto a se entregar assim tão facilmente. Ele iria usar de todas as suas armas para se defender.
Como estava com o ferro em brasa, jogou-o no satanás. O cheiro de pelo queimado deu para ser sentido até lá no inferno. Até os diabitos falaram lá:
- Pelo cheiro, o nosso patrão foi bem chamuscado!
Depois de ser queimado o diabo desapareceu.
Durante uns bons anos, o nosso bom amigo ferreiro da maldição, bateu muito ferro, sem ninguém mais o perturbar. Porém, como todo ser vivo, um dia ele morreu. E foi bater às portas do céu.
São Pedro perguntou quem era e ele respondeu:
- Sou o ferreiro da maldição.
São Pedro olhou nos seus arquivos, mas não encontrou seu nome, pois ele havia vendido a sua alma ao diabo. Então São Pedro lhe falou:
- O teu endereço é mais abaixo.
O ferreiro da maldição desceu mais abaixo e encontrou as portas do inferno. Bateu à porta e uma vós perguntou lá de dentro:
- Quem é?
- Sou o ferreiro da maldição.
E o satanás que nem podia ouvir falar nesse nome lá no inferno, gritou:
- Fora daqui - e não lhe abriu a porta.
A pobre alma voltou ao céu e bateu na porta novamente.
- Quem é? - pergunta São Pedro.
- É o ferreiro da maldição, que nem no inferno me aceitaram.
São Pedro abriu-lhe as portas e disse-lhe:
- Pode entrar meu filho. O teu lugar já estava aqui guardado, porque sempre foste um cidadão de boa fé.

Moral: “O lobo ataca com os dentes e o touro com os chifres. Cada um se defende com as armas que tem”.



Direitos autorais: Esta obra, ou parte dela, pode ser reproduzida, desde que citada a fonte de origem. 

4 comentários:

  1. Gostei da historia, meu pai gostava de contar ela pra mim, quando era pequeno.

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  2. Mas acho que na versão que ele contava,tinha alguma variação pra essa do blog, eu ando pesquisando com os amigos dele, e fazendo um esforço da memoria, mas eu acho que em determinado ponto da historia, o ferreiro engana o diabo e pede pra ele entrar dentro do forno pra aumentar o fogo, e quando ele faz isso o ferreiro prende ele la dentro e começa a bater nele como se tivesse forjanto uma ferramenta, bate nele com a marreta, mete ele na agua, como se tivesse temperando uma lamina, o diabo leva uma surra e vai embora, desistindo de levar a alma do ferreiro.

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  3. Eu tenho um pequeno blog, sera que posso usar sua historia pra reescrever a historia que meu pai contava so que numa versão diferente ?

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  4. http://proftextos.blogspot.com.br/ esse é meu blog se quiser me visitar, obrigado.

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