quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Contos Infantis - As Cavacas do Borralho



Era uma vez... Um velho e uma velha. Quando estavam a dormir, foram lá ladrões e entraram na casa deles.
Depois de procurarem dinheiro por todos os cantos e não encontrarem nada, um dos ladrões falou para os outros:
- Estes velhos têm muito dinheiro, mas onde o esconderam?
- Já sei - falou o outro. - Esperem aí que eu vou descobrir.
E o ladrão esperto, foi ao quarto onde os velhinhos dormiam, chegou-se ao ouvido da velhinha, que dormia a sono solto, e perguntou bem baixinho:
- Aonde é que está o dinheiro?
A velhinha ainda a dormir, a pensar que era o seu velho, respondeu também baixinho:
- Está debaixo das cavacas do borralho.
O ladrão foi para o borralho à procura do dinheiro. Nisto, a velha acordou de sobressalto. Buliu com o velhinho que estava a dormir e perguntou-lhe bem baixinho:
- Diz-me cá, foste tu que me perguntaste onde estava o dinheiro?
E o velho respondeu:
- Eu não.
- Então foram ladrões. Fica quietinho aí. Não fala nada, que eu vou falar com eles.
No meio da escuridão, a velha que conhecia todos os cantos à casa, foi ter com os ladrões. Chegou ao ouvido do ladrão que estava a esgaravatar as cavacas e perguntou bem baixinho:
- Já o achaste?
- Já - respondeu também em vós baixa.
- Então passa para cá e procura mais - disse a velha.
O ladrão passou o dinheiro para a velha e ela correu a se deitar outra vez.
Antes de sair, os ladrões ainda foram procurar no quarto dos velhos para ver se tinham mais alguma coisa que lhes servisse. Como não encontraram nada de valor, foram embora.
Já longe do local do crime, os ladrões se reuniram para dividir o produto do roubo.
O que tinha encontrado o dinheiro disse:
- Vamos dividir essas cavacas, que pelo jeito, desta vez renderam bem. Quem é que está com o dinheiro?
- O dinheiro está contigo - disse um deles.
- Comigo não. Não queiram fazer-se de espertos comigo, senão eu mando vocês todos para o inferno.
E ninguém mais se entendeu. Todos desconfiavam de todos. Eles fizeram aquele reboliço, começaram a brigar e acabaram todos mortos.

Moral: “ A ocasião faz o ladrão."
       “ Pensa o ladrão que todos o são.”
      “ Entre o gostar e o amar, está o refletir...O amor dos velhos
        é como o calor do borralho que em cinzas se entretém."



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