Era uma vez...
Um velho e uma velha. Quando estavam a dormir, foram lá ladrões e entraram na
casa deles.
Depois de
procurarem dinheiro por todos os cantos e não encontrarem nada, um dos ladrões
falou para os outros:
- Estes velhos
têm muito dinheiro, mas onde o esconderam?
- Já sei -
falou o outro. - Esperem aí que eu vou descobrir.
E o ladrão
esperto, foi ao quarto onde os velhinhos dormiam, chegou-se ao ouvido da
velhinha, que dormia a sono solto, e perguntou bem baixinho:
- Aonde é que
está o dinheiro?
A velhinha
ainda a dormir, a pensar que era o seu velho, respondeu também baixinho:
- Está debaixo
das cavacas do borralho.
O ladrão foi
para o borralho à procura do dinheiro. Nisto, a velha acordou de sobressalto.
Buliu com o velhinho que estava a dormir e perguntou-lhe bem baixinho:
- Diz-me cá,
foste tu que me perguntaste onde estava o dinheiro?
E o velho
respondeu:
- Eu não.
- Então foram
ladrões. Fica quietinho aí. Não fala nada, que eu vou falar com eles.
No meio da
escuridão, a velha que conhecia todos os cantos à casa, foi ter com os ladrões.
Chegou ao ouvido do ladrão que estava a esgaravatar as cavacas e perguntou bem
baixinho:
- Já o
achaste?
- Já -
respondeu também em vós baixa.
- Então passa
para cá e procura mais - disse a velha.
O ladrão
passou o dinheiro para a velha e ela correu a se deitar outra vez.
Antes de
sair, os ladrões ainda foram procurar no quarto dos velhos para ver se tinham
mais alguma coisa que lhes servisse. Como não encontraram nada de valor, foram
embora.
Já longe do
local do crime, os ladrões se reuniram para dividir o produto do roubo.
O que tinha
encontrado o dinheiro disse:
- Vamos
dividir essas cavacas, que pelo jeito, desta vez renderam bem. Quem é que está
com o dinheiro?
- O dinheiro
está contigo - disse um deles.
- Comigo não.
Não queiram fazer-se de espertos comigo, senão eu mando vocês todos para o
inferno.
E ninguém mais
se entendeu. Todos desconfiavam de todos. Eles fizeram aquele reboliço,
começaram a brigar e acabaram todos mortos.
Moral: “ A ocasião faz
o ladrão."
“ Pensa o ladrão que todos o são.”
“ Entre o gostar e o amar,
está o refletir...O amor dos velhos
é como o calor do borralho
que em cinzas se entretém."
Direitos autorais: Esta obra, ou parte dela, pode ser reproduzida, desde que citada a fonte de origem.
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