sábado, 6 de outubro de 2012

Fábulas - O Duelo da Cabra e da Formiga

 Era uma vez... Uma velhinha chamada Dulce. Ela era meio cega, e estava a fazer filós para festejar o aniversário de sua netinha de sete anos que se chamava Chaninha.
Depois de ter colocado alguns bolinhos na bacia, Dulce notou que esta continuava vazia. Olhou para o lado e viu alguma coisa que parecia ser uma cabra. Ela não estava enganada, era uma cabra grande. E a vovozinha falou:
- Vai-te embora cabra! Vai-te embora cabra! Olha que eu vou jogar-te esta sertã de azeite quente.
A cabra, que não tinha medo da velhinha, respondeu:
- Eu sou cabra cabriola, como homens e mulheres, e até te como a ti se tu cá vieres.
Vovó Dulce pôs mais um filó na bacia. A cabra tirou o filó e comeu-o logo. A velhinha repetiu:
- Vai-te embora cabra! Vai-te embora cabra! Olha que eu vou jogar-te esta sertã de azeite quente.
Mas a cabra não tinha medo mesmo, e retrucou:
- Eu sou cabra cabriola, como homens e mulheres, e até te como a ti se tu cá vieres.
A vovozinha já começou a ficar com medo, e pensava:
- Ai meu Deus! Quem me há de valer!... Eu moro aqui sozinha e não tem por aqui outra alma viva que me possa ajudar. Se continuar assim, vou ficar sem filós para o aniversário da minha Chaninha.
Dulce repetiu:
- Vai-te embora cabra! Vai-te embora cabra! Olha que eu vou jogar-te uma panela de água quente.
- Eu sou cabra cabriola, como homens e mulheres, e até te como a ti se tu cá vieres.
A vovozinha já estava desesperada. Não sabia mais o que fazer para se livrar daquela desaforada, e disse:
- Oh!.. meu Deus! Quem me há de valer?
Onde há filós, há açúcar, e onde há açúcar e filós, há formigas. Uma formiguinha viu que a cabra estava a estragar o banquete delas, e falou:
- Vai-te embora cabra. Vai pastar. Aqui não é o teu lugar.
- Eu sou cabra cabriola, como homens e mulheres, e até te como a ti se tu cá vieres.
E a formiguinha respondeu de lá:
- E eu sou formiga, rabiga, subo pelas pernas acima e vou-te morder na barriga.
A cabra ficou cheia de medo e saiu a correr. Ela já tinha sido atacada pelas formigas algumas vezes e sabia que aqueles eram bichos de briga.
Vovó Dulce fez os seus filós e deixou alguns deles, com bastante açúcar, para as suas amigas formiguinhas.
Até hoje, sempre que tem  festa, as amigas formiguinhas aparecem para guardar os docinhos e receber a recompensa.

Moral: "Quem não arrisca, não petisca."



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