Era uma vez... Um homem
chamado Narciso, que era carvoeiro e tinha quatro filhos, Quidinho, Lilico,
Nézico e Pitico.
Seus dois filhos mais
velhos seguiram a profissão do pai. Quando o terceiro ficou mocinho, disse
que ia correr mundo, pois não desejava ser carvoeiro. E Nézico partiu.
Depois de andar algum
tempo, chegou a uma terra estranha, viu uma casa grande muito bonita e pensou:
- Esta deve ser casa de
gente rica! Quem sabe, talvez estejam precisando de um criado.
Foi falar com o dono do
lugar, que lhe disse que estava precisando sim de criados. E perguntou se ele
sabia ler e escrever. Nézico respondeu que sim, que sabia ler e escrever muito
bem. Imediatamente homem mudou de idéia e disse-lhe que não, que não precisava
de ninguém, que já tinha criados até demais.
O rapaz voltou para casa
e contou a seu irmão Pitico, do tal homem que encontrou em tal terra, em tal
casa. E falou para o irmão ir lá, que naquela casa estavam precisando de gente
para trabalhar.
- A mim só resta ser
carvoeiro - disse ao irmão.
Orientado por Nézico,
Pitico partiu para a terra até então por eles desconhecida.
Sabia ler e escrever
muito bem, mas quando o dono da casa lhe perguntou, disse-lhe que não, que não
conhecia uma letra sequer. E foi contratado por uma temporada (ali só se
admitia gente em época de colheita). Agora ele era o mais novo criado da casa.
Seu amo era um
feiticeiro e guardava seus livros debaixo da cama. Por isso não queria criados
que soubessem ler. Era um homem muito ocupado e andava tranqüilo, pois em sua
casa só havia analfabetos. Pitico entrava e saía daquele quarto à hora que
queria e começou a ler todos os livros.
Quando chegou à hora de
acertar as contas, seu amo, que já não precisava mais de seus serviços,
descontou de seu soldo despesas que não haviam sido contratadas, como moradia,
cama e comida.
Partiu dali sem um
tostão no bolso, mas levou consigo o melhor livro que encontrou.
Em sua casa, Pitico só
lia, só lia e relia. Estudou o livro nos seus mínimos detalhes. Os irmãos que
ganhavam dinheiro como carvoeiros, não queriam repartir com ele algumas moedas.
E ele lhes falava:
- Vocês ainda vão se
arrepender. Um dia vocês vão precisar de mim.
Quando Pitico percebeu
que estava pronto para assumir responsabilidades, conversou com seu pai para
que este participasse do seu negócio. Ele iria transformar-se num galgo e seu
pai iria vendê-lo à feira. Mas alertou que não vendesse a coleira que o prendia
por dinheiro nenhum.
E assim fizeram.
Transformou-se num galgo muito bonito e na feira não faltaram compradores. Seu
pai o vendeu por uma boa oferta, mas sem a coleira. O comprador não fez nenhuma
objeção, pois queria mesmo era o animal. Levou-o para casa, mas no dia
seguinte, o cachorro havia desaparecido. Fugira da casa do homem como um
cachorro e chegara à casa de seu pai como gente.
Quando o dinheiro
acabou, o aprendiz de feiticeiro transformou-se num boi e seu pai foi novamente
com ele para a feira. Pediu a Narciso para não entregar a soga por dinheiro
nenhum, para não complicar seus negócios. Ele não podia contar nem para o
próprio pai os segredos de sua magia.
Era um boi bem grande e
bem gordo, e foi vendido para o abate. Narciso tirou a soga e o aprendiz passou
a ser apenas mais um boi que os negociantes haviam comprado. Mas pouco depois transformou-se
num pássaro que voava do meio da manada.
O feiticeiro, que a
aquela altura já dera por falta do livro, perguntava-se a qual empregado aquele
livro podia interessar se eles eram todos analfabetos? Por isso, andava a
procura de respostas.
O dinheiro da venda do
boi acabou e o aprendiz de feiticeiro e seu pai saíram para outra feira. Ele
agora se transformou em um belo cavalo branco e pediu a seu pai que não
entregasse o cabresto de maneira alguma, por dinheiro nenhum.
Lá estava Narciso, com
aquele belo exemplar de animal, quando dele se aproxima um comprador. Negócio
fechado pelo valor pedido. Quando o homem ia pegar o animal, o vendedor disse
que o cabresto não fazia parte do negócio. E o homem retrucou:
- Como eu vou levar este
animal daqui? Eu gostei muito do cavalo, mas quero o cabresto também.
Não para cá, não para lá,
e o homem ofereceu um bom dinheiro pelo cabresto. Mas mesmo assim, não houve
acordo.
O homem dobrou a oferta
e Narciso decidiu entregar-lhe o cabresto. Quem estava a comprar o cavalo era o
feiticeiro, pois já fazia algum tempo que seguia a dupla, pai e filho. Sr
Narciso não sabia disso, mas o cavalo branco sim. E lá saiu o cavalo branco,
manso como um cordeiro, puxado pela arreata pelas mãos do feiticeiro. Não
esboçou a menor reação.
Depois de andar um bom
tempo pararam à beira da estrada onde havia uma venda e um pequeno rio. O
feiticeiro amarrou o cavalo a uma árvore à beira do rio e foi até a venda para beber
e comer alguma coisa.
O movimento de pessoas
era razoável e o cavalo começou a puxar pela arreata em direção ao rio.
Passava por ali um
menino que, vendo que o cavalo estava com sede, tentou desatar a arreata da
árvore para ir dar de beber ao pobre cavalinho. Mas como a arreata estava
fortemente amarrada, o menino não conseguia desamarrar. Então ele tirou mesmo o
cabresto.
Nessa hora o feiticeiro
apareceu.
Rapidamente o cavalo
branco virou um peixe e mergulhou nas águas do rio. O feiticeiro virou uma
fisga de aço e partiu para cima do peixe. O peixe pulou para fora d’água, virou
uma pombinha branca e voou. O feiticeiro virou um gavião e danou-se atrás do
aprendiz.
A pomba voava a toda a
velocidade em direção ao pequeno lugar. Uma donzela, que estava à janela, viu o
gavião a voar atrás da pombinha. A ave voou em direção a sua casa e entrou pela
janela adentro. A moça fechou rapidamente a janela e o gavião não consegui
parar a tempo e zás... foi de encontro a janela.
A moça pegou a pombinha,
foi abrir a janela para ver o que tinha acontecido ao gavião e deu de cara com
um homem que lhe falou:
- Ó minha simpática
menina você quer me dar a sua pombinha?
- Não dou, não dou e não
dou - dizia ela. - Não a dou nem por todo o dinheiro do mundo.
- Então troque a
pombinha por este anel de brilhantes - e exibiu um grande anel de falsos
brilhantes.
Os olhos da moça
brilharam mais do que os ditos brilhantes, que respondeu:
- Então é toma lá, dá
cá.
Na hora de fazer a
troca, ao passar da mão da menina para a mão do feiticeiro, a pombinha virou um
grão de milho e caiu ao chão. No mesmo instante, o feiticeiro virou uma galinha
para comer o milho. Mas imediatamente o aprendiz de feiticeiro virou uma raposa
e comeu a galinha.
Assim Pitico venceu o
feiticeiro, pegou toda sua fortuna e veio para casa de seu pai. Depois casou-se
com a moça da janela, tiveram muitos filhos e foram muito felizes.
Moral:
“Quem nunca se aventurou, não perdeu, nem ganhou”.
Direitos autorais: Esta obra, ou parte dela, pode ser reproduzida, desde que citada a fonte de origem.
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