terça-feira, 9 de outubro de 2012

Contos Infantis - No Reino de Libelinha

                                                       
Sob os olhares do vovô, que dela não se afastava, na beira da praia, aquela menina brincava.
Toda atarefada, com seu baldinho carregava areia molhada para seu castelinho construir. Estava difícil conseguir.
Uma onda mais atrevida o seu castelo invadiu, a menina derrubou, e tudo destruiu, deixando-a enfurecida.
Quando a menina levantou, fez beicinho mas não chorou.
Correndo toda apressada para junto do vovô, passando língua nos lábios, perguntou:
Vovô, por que a água do mar é salgada?
Quem a pergunta fazia era Maria José ao avô José Maria.
O bom velhinho, que não esperava por esta, passando a mão sobre a testa e tirando o chapéu para refrescar a memória, respondeu:
- Essa é uma longa estória.
 - Oba! Uma estorinha! – comentou a menina largando o  baldinho. Conta, conta agora vovozinho.
Agora não é hora, esta hora é para brincar, estorinhas tem a noite para  contar.
O que vovô queria era tempo para pensar. Em outros tempos contaria mil estórias sem parar.
E quando a noite chegou, logo depois do jantar a menina chegou-se até o vovô em seus joelhos se ajeitou e tratou de perguntar:
- E agora? Está na hora de contar?
E quando e estória começou: “Era uma vez” ... a menina suspirou:
- Como eu gosto das estórias do vovô!

- “Há muito tempo atrás, quando tudo começou, havia um pai criador, um pai  que era inventor.
Ele é o ser supremo, Deus, Alá, Orixalá ou Jeová, para todos Ele é o mesmo.
Inventou o céu, a terra e tudo que mais existe. Inventou a natureza para tudo governar. A ela ninguém resiste, mas não sabe perdoar. E é imenso o poder que a natureza contém. Alguns dizem que ele é o Pai, outros que ela é a mãe.
Naquela época o sol tudo iluminava, mas a terra ainda era novinha, envolta em densa neblina e a luz até ela não chegava. Era a era dos vulcões, que existiam aos milhões e que a tudo destruíam. Mas seus rios de lavas se sobrepondo em camadas, a terra também construíam. E o reino mineral a natureza criava.
Foi preciso muito tempo, para a terra ficar mais serena, sua temperatura mais amena. Com os vulcões menos famintos, muitos deles já extintos, um novo reino despontava. Era o reino vegetal que a natureza nos dava. E uma enorme floresta crescia.
A mãe natureza, que a tudo assistia, declarava:
- Agora criarei meu último reino afinal. – E surgiu o reino animal.
O reino animal muito rápido se expandiu, vivendo em harmonia, uns aos outros respeitavam.
Imediatamente outras forças protestaram. Eram os demônios do mal, que por inveja ou despeito, nunca tiveram respeito, por qualquer ser que não lhes fosse igual.
Moravam nas profundezas, eram do mundo das trevas, tinham o poder da magia. Incendiavam e matavam tudo que aparecia.
E assim se iniciava o mundo da fantasia .
A natureza foi apanhada de surpresa, seus filhos estavam desprotegidos. Não estava preparada para tão terríveis inimigos.
Aqueles seres malfeitores, possuíam forças superiores a tudo que existia. E assim eles deixavam a terra quase vazia.
Depois de tanto destroço, sem fazer grande alvoroço, a natureza protesta, junta tudo que lhe resta, e lá no meio da floresta um novo reino surgia.
A nossa mãe natureza, que seus filhos não despreza criou, uma força maior, era o reino do amor, onde não entrava magia.
 Havia ali uma menina. Seu nome era Libelinha. Na verdade bem feinha, mas como era boazinha, logo os seus amigos fizeram dela rainha.
Quando os demônios souberam que esse reino existia e isso que chamavam de amor tinha mais poder que a magia, acharam que o amor era pior que a própria luz do dia. Para eles um horror! Como podia alguém, que da terra nascia, sentir esse tal de amor?
- Acabarei logo com isso! – O rei dos demônios dizia. – É só pôr-lhe um feitiço e a esse amor darei sumiço. Se for amor que ela sente e se a mim ela der todo o amor que tiver, farei dela uma serpente, nunca mais será mulher.
Com tudo já planejado, aquele demônio malvado, em príncipe se transformou. Porém, o que ele não sabia era que se como príncipe entrasse, só como príncipe sairia.
Protegida por seus amigos guardiões, tigres, onças, leões, corujas, corvos e falcões, Libelinha era guardada com muito amor e carinho.
Mas o maior perigo, o seu pior inimigo, vinha em forma de menino. Demônio destruidor, sem alma nem coração, era amante da traição e era pai do terror. Os seus amigos poderiam dar-lhe alguma proteção?
Aquela estranha criatura só andava em noite escura, aparecendo ás vezes a alguém para perguntar como poderia ele ao reino do amor chegar.
Tanto perguntou, perguntou, que um dia uma ave lhe falou:
- Vá em frente meu menino, siga as trilhas da paixão. Se for esse seu destino, não saia desse caminho, siga o seu coração. No reino que se aproxima, encontrarás luz e calor, encontrarás uma menina, é o reino do amor.
Como poderia aquela criatura mesquinha, sentir ou saber para onde ir, se nem coração ele tinha? Andou, andou, andou a esmo, perdido mesmo. Só então ele sentiu que ali nada valia o seu poder de magia.
E no momento em que viu a alegria da bicharada, os bichos dando risada, como ficou indeciso: no reino de onde vinha, não existia o riso! Não sabia como agir, mas tinha uma certeza, ele iria destruir o amor na natureza.
Numa noite escura, o nosso vilão ruim procura, tanto procura, até que acha o seu fim.
O corvo negro crocita. É o seu grito de alerta, anunciando a visita. O reino todo desperta.
 Todos chegaram para ver. Quem era? De onde vinha? Estavam prontos para defender, o reino de Libelinha.
Mas aquele ser tão só, frágil e desprotegido, a todos causava dó. Não oferecia perigo.
- Venho de um reino distante.- Dizia o estranho viajante.- Eu sou do mundo de Adan, venho em uma missão importante e sou o príncipe Satã. Quero conhecer o amor, quero saber onde mora.
A sábia coruja responde:
- Ora! Ora! Conhecer e onde mora? O amor só se sente, mora no coração da gente!
- A lebre sai pulando, aflita, gritando:
- Tem visita, tem visita. É um príncipe muito belo que mora num enorme castelo! – A bicharada nem ligava, por que as vezes a lebre exagerava.- Podem crer, não é mentira minha, venham ver. Vamos acordar Libelinha.
A menina se levantou, esfregou os olhos e acordou. – Oi! – disse ela, aquela feinha bela, ainda com carinha de sono, indo sentar-se em seu trono.
- E agora podem dizer-me o que foi que o macaco aprontou desta vez? Para eu ser acordada a esta hora da madrugada, o que de tão grave ele fez?
E a lebre assustada:
- Não majestade, não foi nada. É que tem um príncipe aí fora que quer conhecer você.
- Ora, ora! Deixe de prosa. Conhecer-me? Por quê?
- Xi! Ela não sabe. – Comentou a astuciosa raposa. – Que existe amor diferente, que para amarmos de verdade, tem que ser igual a gente.
Quando para fora olhou, Libelinha corou. Ficou vermelhinha quando avistou aquele ser esquisito, que apesar de bonito causou-lhe arrepio. Parecia vazio.
Ao cumprimentá-lo Libelinha sorriu. Satã que não sabia sorrir e disposto a seu intento conseguir, o gesto imitou. Seu cenho franziu e os seus dentes mostrou.
- Sentimo-nos honrados com a sua visita, meu nobre senhor. Seja bem vindo ao reino do amor.
E aquele menino, que de bobo nada tinha, partiu para a conquista do amor de Libelinha.
- A honra é toda minha, encantadora menina.
E foi assim que um grande amor começou. Durante todo o dia Libelinha lhe mostrou o que de mais belo possuía.
O verde da mata, o riacho de prata e a cascata na serra, que de tão alta que era, no ar se esvaía sem chegar a terra, formando um enorme véu e um arco-íris no céu.
Subiram o monte, apanharam frutinhas para o jantar, beberam água da fonte, colheram flores, num mundo de cores, de beleza sem par.
A tardinha apreciaram o pôr-do-sol, escutaram o murmúrio do vento e a todo o momento o canto do rouxinol.
E aquela menina, que só conhecia a bondade, aos poucos era envolvida pelo gênio da maldade.
Os dias foram passando e ao príncipe encantado, agora seu namorado, Libelinha estava amando.
Era um amor profundo, amor puro e verdadeiro, era o seu amor primeiro, o primeiro amor do mundo.
Onde existe amor existe mentira, fofoca, briga, ciúme e a dor. Vence o mais forte, o destemido, o que tiver melhor sorte, o mais sabido. Perde o ingrato, o resignado, o azarado, perde o mais fraco.
A Satã só interessava todo o amor lhe tirar, mas quanto mais ela lhe dava, mais amor tinha para dar.
Tinha certeza de onde vinha; todo aquele amor saía dos olhos de Libelinha. E a menina acompanhava o seu príncipe sedutor, garota apaixonada é presa fácil da dor.
  Satã já preparava a vil e reles traição, achando que só assim terminava de cumprir sua missão.
Havia alguém desconfiado, era o falcão matreiro, que mesmo mais afastado, via o olhar traiçoeiro. Aos outros ele avisava do perigo e da ruína e a todos alertava:
- Guardem a nossa rainha.
Satã depois de ter invocado os seus poderes de magia, mandingas e bruxarias sem obter resultados, via seu trabalho frustrado, sem compreender a razão...
 E no meio da escuridão, a casa de Libelinha ele rondava. A menina coitadinha, sem perceber os perigos, guardada por seus amigos, sonhava.
Em seu sonho, pelo bosque ela corria a seu príncipe abraçada, quando acordou assustada. Fazia tempo que ela não o via.
- Por que será que ele não vem? Será que ele está doente? Ele não gosta mais de mim! E foi pensando assim que adormeceu novamente.
E ele bem perto, no meio da floresta, procurava uma brecha para na casa entrar. Mas os bichos mais espertos dormiam de olhos abertos, para o príncipe enganar.
A guarda dobrada, de garra afiada, por ele esperava. Satã era arisco, sem querer correr risco, não se aproximava.
  O tempo passava e ele tinha que agir. Foi então que pensou em usar outro meio, para a menina atrair. No outro dia bem cedo, sem grande rodeio, um mensageiro chegava. E fazendo segredo à menina contava:
- Amanhã de manhã na trilha da pedra, o príncipe Satã, por você espera.
Libelinha nem acreditava no que acabara de ouvir. É claro que iria, era o que ela mais queria. Levantou-se de madrugada, não conseguia dormir. Arrumou-se bem bonita, no cabelo uma fita de folha de mato, uma pulseira no braço, de mato também, um perfume de erva, uns sapatos de relva e o sorriso que tem. Partiu sorridente, feliz e contente ao encontro de alguém.
 Enquanto seu algoz por ela esperava, a menina corria veloz, não corria voava, coração disparado. Que felicidade! Ele era o culpado de tanta saudade.
Depois de muito correr, avistou um vulto adiante. Ficou irradiante com a imagem que via. Aquele sovina para ela acenava, seu nome chamava e até lhe sorria.
- Libelinha, Libelinha.
E o encontro amoroso, com aquele monstro monstruoso, não podia ser melhor. O príncipe todo dengoso, delicado e formoso, andava ao seu redor. Mostrando-se enamorado, da menina debochava. Passava a mão em seu cabelo e com jeito safado declarava:
- Nunca vi nada tão belo!
Coração apaixonado, sem tempo para refletir, deixava-se conduzir pelas mãos do seu amado.
- Vem comigo, minha querida! – dizia o falso galã – Comigo estarás protegida. Vamos andar, vamos correr, quero ver o sol nascer. Está tão bela a manhã!
Só depois que muito andou, com seu príncipe protetor, viu o quanto se afastou do seu reino do amor. Mas estava confiante, seu amado era brilhante, era um príncipe valente, corajoso e experiente.
Chegava a hora da decisão e aquele menino sagaz mostrava que era capaz de cumprir sua missão.
 - Sente-se aqui ao meu lado – dizia ele sorrindo – que já estou cansado. Olha, o sol está saindo.
Libelinha perto dele se sentou e era tanto amor que daquele olhar saía quando para ele olhou, que até parecia que toda a floresta incendiar-se-ia.
Mas era pouco, pouco, muito pouco. Muito mais ele almejava, muito mais. E como louco, louco, muito louco, mais louco que o pior dos animais, só pensava: ”Quero mais”.                    
Aquele ser maldito já preparara a trama. Todo amor ele queria. Só que ele não sabia que o amor é infinito no coração de quem ama.
Mas agora que descobrira onde todo aquele amor nascia, não ficaria no prejuízo. Iria tirá-lo, ou mesmo roubá-lo, se fosse preciso.
 - Feche os olhos – dizia ele para a inocente – trago aqui um presente para lhe dar. Só abra se eu mandar.
 Maldoso como ele era e ali com a nossa menina desprotegida, sozinha, ao pé da serra, era uma vez Libelinha.
Como o ressoar de um trovão, pela floresta ecoou um grito de dor. Com os espinhos da traição, os olhos de Libelinha ele furou para roubar seu amor.
Entretanto, o que deles brotou, o que aquele olhar continha, não era amor, era água.
Bem depressa uma poça se formava com a água salgada das lágrimas de uma menina.
Enquanto seu príncipe fugia, sem rumo, sem direção, sem saber para onde ia, aquela garota chorava, chorava noite e dia.
A poça virou um lago e o lago virou um mar. Seus amigos a seu lado, sem nunca a abandonar, um a um se transformaram para com ela ficar.
Peixe elefante, peixe tigre, peixe cavalo, peixe cobra, peixe cabra, peixe galo. Peixe lobo, peixe víbora, peixe coelho, peixe morcego, peixe papagaio, peixe vermelho.
Peixe javali, peixe voador, peixe macaco. Peixe escorpião, peixe toupeira, peixe sapo.
Peixe cigarra, peixe aranha, peixe gato. Peixe pombo, peixe porco, peixe rato.
Peixe soldado, peixe espada, peixe martelo. Peixe lima, peixe agulha, peixe prego.
Peixe mola, peixe pau, peixe serra. Peixe lenha, peixe lanterna, peixe pedra.
 Até o leão bonzinho virou leão marinho para ficar perto dela.
O coisa ruim estava perdido, já lamentava ter vindo. A água subindo, quase encobrindo toda a floresta e ele sem conseguir sair desta,
Não conseguia a saída encontrar, todos os caminhos o levavam ao mar. Já desesperado andava como louco de um lado para o outro, andava sem parar. Corria na direção onde o sol se escondia, fugindo para bem longe da Serra do Mar.

 Passaram-se os dias, tantos e tantos, que ele não sabia quantos. Entretanto, depois de muito correr, em algum lugar começou a ver uma enorme serra. Sabia porém que não era a mesma porque não via o mar. Enquanto para lá se dirigia pensava no que faria quando chegasse ao seu mundo da magia.
Porém percebeu que algo em seu peito batia. Era uma pancada que ele antes não conhecia. Era a maldição. Sentiu o bater de um coração.
 Sentiu  fadiga e um leve tremor, este foi o preço que pagara pelo tempo que passara no reino do amor.
 Este pequeno tropeço não acontecia a toa. Lembra o que falei no começo? A natureza não perdoa. Ele recebia a punição, não podia deste mundo sair sem sentir o amor, a dor, a paixão.
 A noite chegou e veio o cansaço. O rei dos demônios deitou-se no meio do mato onde dormiu na noite gelada. Dormia e sonhava com este mundo estranho. Mas como podia sonhar se nem era humano?
  Em seu sonho era menino, digno, crédulo e ingênuo. Andava pela floresta e para todos sorria. Todos lhe faziam festa e festa a todos fazia. Era irmão de Libelinha, corriam pela colina, faziam versos a lua.
 O seu sonho continua ainda mais complexo, está ficando sem nexo. Brincava com Libelinha, segurava em suas mãos. Não, não eram irmãos. Mas então o que ela tinha que dele só se afastava? Libelinha só chorava. De onde vinha tanta água?
- Vem para mim, minha querida. O que é que você tem? Você é tudo em           minha vida.
Sem conseguir vê-la e com medo de perdê-la, ele chorava também. A água era  tanta que de seus olhos corria, e os suspiros eram tantos, que a terra toda tremia.
O uirapuru cantava anunciando a alvorada, era o sol que ressurgia. Quando ele abriu os olhos, o garoto moribundo, viu que deles nascia o maior rio do mundo e que para o mar ele corria.
Acordado refletia:
- Mas que complicado! Que mundo é este onde tudo acontece e me deixa louco? Tem um sol que se esconde de um lado e aparece do outro. Tem flores no campo onde o amor é o encanto, tem frutos sobrando, aves cantando, tem olhos que choram onde todos se adoram. Tem lua, luar e tem mar, tinha...- Ele ia dizer Libelinha e pensando nela se pôs a chorar.
Longe do reino do amor, iria mostrar quem era o pior. Não teria mais com que se preocupar, estava livre do azar. O feitiço estava desfeito, um coração não batia mais em seu peito.
Livre para decidir, que caminho seguir. Era só se transformar e ao seu mundo voltar.
- Mas por que isso agora? Se não tenho mais coração, se já cumpri minha missão, é só sair, ir embora. Por que esta indecisão?
Por que estava angustiado? É que havia sido contaminado, pelo vírus da paixão.
Para afogar suas mágoas em peixe rei se transformou, mergulhou naquelas águas e para o mar ele nadou. Uma vez peixe, peixe sempre seria, ele das águas jamais sairia.
Nadava por esse mar imenso, procurando sem descanso alguém que tanto amava.
Depois de muito tempo, muitos anos talvez, em certo momento ele viu outra vez algo que conhecia.
Era o mesmo lugar, tinha certeza que era. Procurou Libelinha e achou a menina no meio dos escombros, em forma de pedra. Foi se aproximando, a pedra abraçou e seus olhos dois rombos ainda chorando, o menino beijou. Pedia perdão com fé e fervor e com tanto amor em seu coração que o encanto acabou. Aquela menina feia virou uma linda sereia.
A notícia se espalhou:
- Libelinha voltou, voltou Libelinha, voltou a nossa rainha.
Não querendo perder mais tempo, naquele momento, o peixe rei fazia um pedido:
- Case-se comigo.
Libelinha aceitou. E entre sorrisos seus amigos começaram os preparativos para o maior acontecimento que a terra jamais presenciou.
No dia do casamento, o narval imponente marchava à frente. Empunhando o seu arpão com a bandeira verde e amarela, no meio um coração, era este o símbolo da grande nação.
Depois vinha a grande armada com os peixes espada, os peixes serra, os peixes soldado, os peixes pedra.
Até dos confins do mundo vieram as estrelinhas da festa participar. As coitadinhas viram tudo lá do fundo, porque não sabiam nadar.
A lua, também distante, um filho seu mandou. O peixe lua ficou radiante e para casa não voltou.
Todos pararam para ver o grande balé das sardinhas e a evolução das tainhas. Sem aos outros desmerecer eram na verdade os golfinhos os melhores dançarinos.
E o grande cortejo chegava ao fim e se aproximava a hora do sim.
- Sim - disse ele.
- Sim - disse ela.
 Aquela menina estava casada com quem tanto amava.
Tiveram muitos filhinhos, encheram o mar de peixinhos. Com o amor sempre presente, foram felizes para sempre.
A mãe natureza gostou, a estória terminou.”“.
E agora, cadê o beijinho do vovô?
A menina beijou o vovô, fechou seus olhinhos e em seu ombro se debruçou.
Tão pequenina e cheia de manha, era assim que Mariazinha, todos os dias ia para a cama.
E lá chegando veio o pedido:- Conta de novo vovozinho querido.
A paciência que um avô tem é bem superior a do pai ou da mãe. Passando a mão na fronte de sua netinha, recomeçou.
- Era uma vez uma menina muito linda, muito linda!...
Mariazinha retrucou:
- Não vovô, era feinha.
Mas a estória não foi muito avante, pois quase no mesmo instante, Maria adormecia.



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