domingo, 30 de setembro de 2012

Fábulas - Rei Grilo


Era uma vez... Um grilo que estava a cantar pertinho de sua toca, em cima de sua pedra preferida. E ele cantava: Rei, rei, rei, rei, rei, rei, rei...
Ia a passar ali por perto um leão que escutou a cantoria.
- Alguém está a me provocar - pensou o leão.
E foi até ao local de onde vinha a cantoria. Ao chegar lá, não viu ninguém. Mas a cantoria continuava: Rei, rei, rei, rei, rei, rei...
Foi difícil para o leão descobrir de onde vinha a provocação, mas, enfim, descobriu. Rapidamente, colocou sua pata em cima do grilo, que estava em uma pequena fenda da pedra, e o grilo se calou. Quando tirou a pata, o grilo começou a cantar novamente: Rei, rei, rei, rei, rei, rei... O leão colocou a pata novamente sobre ele, e o grilo se calou. O leão tirou a pata, e o grilinho de novo: Rei, rei, rei, rei, rei, rei... Irritado o leão rugiu:
- Cala a boca, ó bichinho irritante. Aqui EU sou o rei!
O grilo, sem dar grande importância às palavras do leão, respondeu:
- Tu podes ser o rei lá da tua turma. Porque da minha tu não és.
- Eu sou o rei de todos os animais - afirmou o leão.
- Ha! Ha! Ha! Isso tu não és não. Da minha turma tu não és rei coisa nenhuma. Nós poderemos ter um rei, mas não és tu.
E o grilo começou a cantar novamente: Rei, rei, rei, rei...
Indignado, o leão desafiou-o para uma luta para decidir quem era o verdadeiro rei. O grilo aceitou e falou:
- Convide lá os seus guerreiros, que eu convidarei os meus.
Triunfante, o leão recrutou seu poderoso exército: tigres, leões, leopardos, panteras, elefantes, búfalos, hienas, rinocerontes, zebras...
O grilinho convidou a turma dele: grilos, formigas, gafanhotos, moscas, mosquitos, besouros, baratas e um sem fim de outros insetos.
No dia e hora marcados, no campo de batalha, apareceu o poderoso exército do leão, que fazia a terra tremer... E a luta começou.
De cima de uma pedra, o grilo comandava seu exército: formigas, moscas e outros bichinhos. Uns subiam pelas pernas dos brutamontes, moscas e mosquitos voavam em bando... E durante muito tempo, azucrinaram as feras.
O poderoso exército do leão estava a passar por um mau bocado, quando o grilinho gritou de cá:
- Alto de paz.
E os brutamontes gritaram de lá:
- Vencemos! Vencemos! Vencemos!
O grilo retrucou:
- Não! É que agora vão entrar os da farda amarela.
E, do nada, apareceu um exército de vespas, maribondos e abelhas. O exército do leão saiu em disparada sem esperar pela ordem do leão, que àquela hora, estava a fugir para bem longe dali.
Depois de alguns dias, lá estava o grilinho novamente a cantar em cima de sua pedra preferida: Rei, rei, rei, rei, rei, rei...
O leão passou ao lado e, fazendo uma careta, pensou:
- È! Com esses bichos ninguém pode!

Moral:       “O mundo é dos insetos.”
“ A quantidade faz a diferença”.
“A única salvação para os vencidos, é correr enquanto têm pernas... e não esperar pela salvação”.



Direitos autorais: Esta obra, ou parte dela, pode ser reproduzida, desde que citada a fonte de origem. 


sábado, 29 de setembro de 2012

Contos Infantis - O Mendigo e a Fortuna


Era uma vez... Um mendigo que batia de porta em porta a pedir esmola, maldizendo a sua sorte e censurando aqueles que, um dia, foram ricos e  ficaram miseráveis como ele.
Tanto ele reclamou, tanto ele censurou, que um dia, a fortuna apareceu-lhe com uma sacada de ouro e disse:
- Eu sou a fortuna e venho aqui para te ajudar. Abre o teu alforje.
O mendigo não cabia em si de contente. E proferiu:
- Oba! Acabou a miséria. Carrão novo e mulheres bonitas! Abre-te, barriguinha.
- Mas previno-te: - avisou a fortuna. - Tudo que cair no chão se transformará em pó.
- Venha ouro, venha ouro - dizia o mendigo.
- Cuidado, o teu saco está velho e pode se romper – avisava a fortuna.
O mendigo nem quis escutar.
- Venha ouro, venha ouro...
- Olha que o saco está quase cheio, ele vai se romper.
- Só mais um poucachinho.
A fortuna continuou a despejar ouro no alforje do mendigo.
Nisto, o saco se rompeu, todo o ouro caiu no chão e se transformou em pó.
O mendigo ficou a olhar para o saco vazio e pobre como antes.

Moral: “Quem tudo quer, tudo perde”.



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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Apresentação do Blog


Neste blog serão divulgadas dezenas de estórias inéditas, todas dentro do mesmo contexto: "Do nada não se cria nada". 
Eu tinha o provérbio, às vezes um nome, um indício, e daí criava uma estória. 
Foram usados alguns termos antigos de língua portuguesa e de língua árabe. 
Nos contos eu me recuso a escrever ”história” por entender que minhas estórias não têm nada a haver com a história que narra fatos e não contos criados pela imaginação.
Obras ou parte das obras aqui apresentadas podem ser reproduzidas, desde que citada a fonte de origem.