sexta-feira, 19 de abril de 2013

Contos Infantis - Catraia


Era uma vez. Um homem que ao nascer do sol, toda manhã, ia a catraia. E todos os dias, dizia para o filho mandrião:
- Levanta Zé. Hoje vamos mais cedo. Quem sabe a sorte está do nosso lado.
Zé levantou-se com uma tremenda má vontade e pôs-se a resmungar durante todo o caminho.
Logo ao chegar à praia, ele encontrou uma carteira recheada de notas. Pegou-a, guardou-a no bolso e voltou para casa dormir.
No dia seguinte, bem cedinho, lá vem o pai com a mesma ladainha:
- Vamos filho. Olha a sorte que tu tiveste ontem em levantar cedo. Achaste uma carteira cheia de notas
- Por isso não senhor pai - dizia o dorminhoco Zé. - Aquele que a perdeu, levantou-se mais cedo do que eu.
Nesse mesmo dia, todo o povo do lugar ficou sabendo que Zé tinha achado uma carteira cheia de notas.
O suposto dono apareceu em sua casa e falou-lhe:
- Óh Zé... eu sei que tu achas-te a minha carteira. Eu te dou cem escudos como recompensa se tu me a entregares.
Zé que era dorminhoco, mas não era desonesto, entregou a carteira, assim como a encontrou, para o suposto dono.
Este, assim que pegou a carteira em sua mão, contou o dinheiro e disse-lhe:
- Vejo que tu te adiantas-te em pegar tua parte do dinheiro, pois a minha carteira tinha seiscentos escudos e aqui só tem quinhentos.
Zé pegou a carteira da mão do cidadão e falou-lhe:
- Então espere alguém encontrar uma carteira com seiscentos escudos. Esta carteira não é a sua.
Enfiou a carteira no bolso e voltou tranqüilo para a cama.

Moral: “Para malandro, malandro e meio”

Nota: Catraia - pequeno barco de um só tripulante. Ir à catraia - ter o hábito de percorrer a praia durante a madrugada em busca de objetos arrolados pelo mar.

Direitos autorais: Esta obra, ou parte dela, pode ser reproduzida, desde que citada à fonte de origem. 

domingo, 14 de abril de 2013

Contos Antigos - A Nau Catrineta


Era uma vez... Há muitos séculos passados, saía de um certo porto, uma nau e sua tripulação em busca de novos mundos, de fama e de riqueza.
Percorreram os quatro cantos da terra, pois ainda não sabiam que a terra era redonda.
- Arriba, arriba gajeiro aquele mastro real - dizia o capitão.
O gajeiro subia no grande mastro à procura de um porto seguro, mas só encontrava água. E eles navegaram, e navegaram tanto tempo que lhes faltava água e comida.
O gajeiro sempre mandava mudar o rumo, mas era em vão. Por fim,  bebiam água da chuva quando a tinham e começaram a comer até as tábuas do barco.
Na verdade, o gajeiro era o diabo que embarcara com eles e vinha a lhes enrodilhar a viagem para que não chegassem a lugar algum.
E dizia o capitão:
- Arriba, arriba gajeiro.
Mas a resposta era sempre a mesma:
- Nada à vista capitão, vamos mudar de rumo.
O desespero tomava conta dos poucos valentes marinheiros que ainda restavam.
Algum tempo depois falava novamente o capitão:
- Arriba, arriba gajeiro, que Deus te há de ajudar.
Quando o capitão pronunciou a palavra Deus, o diabo caiu ao mar. Como nunca se preocupara em aprender a nadar e com a consciência pesada que tinha, foi direto para o fundo.
A tripulação ainda tentou resgatar o amigo, mas em vão pois ele desapareceu no mar. Então o capitão nomeou o imediato para ser o novo gajeiro.
- Arriba, arriba gajeiro àquele mastro real. Vê se vês terra de Espanha ou ares de Portugal.
O gajeiro subiu ao mastro e respondeu:
- Não vejo terras de Espanha nem ares de Portugal, só vejo estarem três meninas debaixo de um laranjal.
- Essas três meninas, todas três são minhas filhas, todas três te as hei de dar. Uma é para te vestir, outra é para te calçar, a mais nova delas todas para contigo casar.
- Não lhe quero as suas filhas que lhe custaram a criar. Só quero a nau Catrineta para no mar navegar.
- A nau Catrineta não lhe a dou porque eu não lhe a posso dar. Porque ela é do rei, ao rei a vou entregar.
Assim termina a famosa viagem, embora saiba que pertence a uma grande odisséia.
E assim minha avó me contou.

Moral: “Espírito e consciência. Índole e inteligência.”
           “O bem não é essência, mas está acima dela em dignidade e poder.”

Direitos autorais: Esta obra, ou parte dela, pode ser reproduzida, desde que citada à fonte de origem. 

Contos - As Aventuras do Padre Martelo


Era uma vez... Um padre que tinha o apelido de Martelo, por ter um martelinho de borracha. Nas pregações que fazia, principalmente quando ficava entusiasmado, ficava batendo com ele na grade de proteção do púlpito.
Era um grande pregador. Todos os dias trazia uma nova atração para entusiasmar os fiéis.
Também tinha o hábito de tomar um golinho de vinho antes da pregação. Dizia que era para desinibir.
E naquele dia ele estava mais entusiasmado do que nunca. Subiu ao púlpito e falou:
- Meus caros fiéis. Hoje vou fazer algo diferente. Vou fazer chover dentro da nossa igreja. Mas vocês precisam ter muita fé... Muita fé, mesmo... Senão não conseguirei realizar o milagre.
E continuou:
- Todos deverão ficar de olhos bem fechados. Se alguém se atrever a abrir os olhos, ficará cego para sempre. Lembrem-se: Nunca podemos duvidar do poder divino.
E começou a pregação: ... e Jesus disse...
No meio daqueles fiéis tinha um fiel espirituoso. Era muito religioso, mas devoto de São Tomé e seguidor de sua filosofia: “Ver para Crer”.
Depois de algum tempo o padre anunciou:
- E agora a nossa bendita benção. Fechem vossos olhos. E sentirão em vossas faces as lágrimas sagradas derramadas por Nossa Senhora no pranto de seu santo filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Todos fecharam os olhos e levantaram os braços para o Céu.
Então Padre Martelo espargiu água para o mais longe que pode.
Aqueles que receberam a água gritavam:
- Milagre!
- Milagre!
- Mais um milagre do nosso Santo Padre!
O fiel espirituoso, jogando uma ducha de água gelada naqueles ânimos exaltados, gritou lá de trás:
- Foi o padre Martelo que jogou a água com o basculho.
Muitos dos fiéis não acreditaram, mas outros ficaram na dúvida. E começaram a lhe perguntar:
- Mas como é que tu viste?
- Tu não estavas de olhos fechados?
- Tu não ficaste com medo de ficar cego?
- Ah! Eu arrisquei um só olho - respondeu o fiel, o senhor Manuel português.

Moral: “O maior cego, é aquele que não quer ver.”


Direitos autorais: Esta obra, ou parte dela, pode ser reproduzida, desde que citada à fonte de origem. 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Contos - Senhor Manuel, a Carroça e o Cavalo


Era uma vez... Um senhor chamado Manuel que trabalhava como feirante.
Todos os dias ia até o mercado, enchia a carroça de frutas, legumes e verduras e dirigia-se com a carroça lotada para a feira.
Um dia, no meio do caminho, o cavalo negou-se a subir uma rua íngreme.
O senhor Manuel puxou o animal pelas rédeas, usou o chicote, gritou, esbravejou, mas nada adiantou. O cavalo não subia.
Então ele decidiu tirar uma parte dos produtos para diminuir o peso, mas o cavalo continuou a negar-se a subir a ladeira.
O senhor Manuel tirou mais uma parte da carga, mas o cavalo continuava a negar a se mexer.
Senhor Manoel descarregou totalmente a carroça e o cavalo nada de subir.
 Aí o senhor Manuel danou-se. Encheu novamente a carroça, encostou o ombro atrás da carroça e empurrou carroça, cavalo e tudo ladeira acima.
E disse, depois, enraivecido para o cavalo:
- Tu podes ter mais juízo que eu. Mas mais força tu não tens.

Moral: "Quem tem preguiça na perna, colhe ferrugem no dente."

Nota: Sou português e escrevo piadas de português por entender que esse é um dos nossos pontos fortes e não existem piadas melhores que as nossas.

Direitos autorais: Esta obra, ou parte dela, pode ser reproduzida, desde que citada à fonte de origem.