Era uma vez... Um padre que
tinha o apelido de Martelo, por ter um martelinho de borracha. Nas pregações
que fazia, principalmente quando ficava entusiasmado, ficava batendo com ele na
grade de proteção do púlpito.
Era um grande pregador.
Todos os dias trazia uma nova atração para entusiasmar os fiéis.
Também tinha o hábito de
tomar um golinho de vinho antes da pregação. Dizia que era para desinibir.
E naquele dia ele estava
mais entusiasmado do que nunca. Subiu ao púlpito e falou:
- Meus caros fiéis. Hoje vou
fazer algo diferente. Vou fazer chover dentro da nossa igreja. Mas vocês precisam
ter muita fé... Muita fé, mesmo... Senão não conseguirei realizar o milagre.
E continuou:
- Todos deverão ficar de
olhos bem fechados. Se alguém se atrever a abrir os olhos, ficará cego para
sempre. Lembrem-se: Nunca podemos duvidar do poder divino.
E começou a pregação: ... e
Jesus disse...
No meio daqueles fiéis tinha
um fiel espirituoso. Era muito religioso, mas devoto de São Tomé e seguidor de
sua filosofia: “Ver para Crer”.
Depois de algum tempo o
padre anunciou:
- E agora a nossa bendita
benção. Fechem vossos olhos. E sentirão em vossas faces as lágrimas sagradas
derramadas por Nossa Senhora no pranto de seu santo filho, Nosso Senhor Jesus
Cristo.
Todos fecharam os olhos e
levantaram os braços para o Céu.
Então Padre Martelo espargiu
água para o mais longe que pode.
Aqueles que receberam a água
gritavam:
- Milagre!
- Milagre!
- Mais um milagre do nosso Santo
Padre!
O fiel espirituoso, jogando
uma ducha de água gelada naqueles ânimos exaltados, gritou lá de trás:
- Foi o padre Martelo que
jogou a água com o basculho.
Muitos dos fiéis não
acreditaram, mas outros ficaram na dúvida. E começaram a lhe perguntar:
- Mas como é que tu viste?
- Tu não estavas de olhos
fechados?
- Tu não ficaste com medo de
ficar cego?
- Ah! Eu arrisquei um só olho
- respondeu o fiel, o senhor Manuel português.
Moral: “O maior cego, é aquele
que não quer ver.”
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