domingo, 14 de abril de 2013

Contos - As Aventuras do Padre Martelo


Era uma vez... Um padre que tinha o apelido de Martelo, por ter um martelinho de borracha. Nas pregações que fazia, principalmente quando ficava entusiasmado, ficava batendo com ele na grade de proteção do púlpito.
Era um grande pregador. Todos os dias trazia uma nova atração para entusiasmar os fiéis.
Também tinha o hábito de tomar um golinho de vinho antes da pregação. Dizia que era para desinibir.
E naquele dia ele estava mais entusiasmado do que nunca. Subiu ao púlpito e falou:
- Meus caros fiéis. Hoje vou fazer algo diferente. Vou fazer chover dentro da nossa igreja. Mas vocês precisam ter muita fé... Muita fé, mesmo... Senão não conseguirei realizar o milagre.
E continuou:
- Todos deverão ficar de olhos bem fechados. Se alguém se atrever a abrir os olhos, ficará cego para sempre. Lembrem-se: Nunca podemos duvidar do poder divino.
E começou a pregação: ... e Jesus disse...
No meio daqueles fiéis tinha um fiel espirituoso. Era muito religioso, mas devoto de São Tomé e seguidor de sua filosofia: “Ver para Crer”.
Depois de algum tempo o padre anunciou:
- E agora a nossa bendita benção. Fechem vossos olhos. E sentirão em vossas faces as lágrimas sagradas derramadas por Nossa Senhora no pranto de seu santo filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Todos fecharam os olhos e levantaram os braços para o Céu.
Então Padre Martelo espargiu água para o mais longe que pode.
Aqueles que receberam a água gritavam:
- Milagre!
- Milagre!
- Mais um milagre do nosso Santo Padre!
O fiel espirituoso, jogando uma ducha de água gelada naqueles ânimos exaltados, gritou lá de trás:
- Foi o padre Martelo que jogou a água com o basculho.
Muitos dos fiéis não acreditaram, mas outros ficaram na dúvida. E começaram a lhe perguntar:
- Mas como é que tu viste?
- Tu não estavas de olhos fechados?
- Tu não ficaste com medo de ficar cego?
- Ah! Eu arrisquei um só olho - respondeu o fiel, o senhor Manuel português.

Moral: “O maior cego, é aquele que não quer ver.”


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