domingo, 14 de abril de 2013

Contos Antigos - A Nau Catrineta


Era uma vez... Há muitos séculos passados, saía de um certo porto, uma nau e sua tripulação em busca de novos mundos, de fama e de riqueza.
Percorreram os quatro cantos da terra, pois ainda não sabiam que a terra era redonda.
- Arriba, arriba gajeiro aquele mastro real - dizia o capitão.
O gajeiro subia no grande mastro à procura de um porto seguro, mas só encontrava água. E eles navegaram, e navegaram tanto tempo que lhes faltava água e comida.
O gajeiro sempre mandava mudar o rumo, mas era em vão. Por fim,  bebiam água da chuva quando a tinham e começaram a comer até as tábuas do barco.
Na verdade, o gajeiro era o diabo que embarcara com eles e vinha a lhes enrodilhar a viagem para que não chegassem a lugar algum.
E dizia o capitão:
- Arriba, arriba gajeiro.
Mas a resposta era sempre a mesma:
- Nada à vista capitão, vamos mudar de rumo.
O desespero tomava conta dos poucos valentes marinheiros que ainda restavam.
Algum tempo depois falava novamente o capitão:
- Arriba, arriba gajeiro, que Deus te há de ajudar.
Quando o capitão pronunciou a palavra Deus, o diabo caiu ao mar. Como nunca se preocupara em aprender a nadar e com a consciência pesada que tinha, foi direto para o fundo.
A tripulação ainda tentou resgatar o amigo, mas em vão pois ele desapareceu no mar. Então o capitão nomeou o imediato para ser o novo gajeiro.
- Arriba, arriba gajeiro àquele mastro real. Vê se vês terra de Espanha ou ares de Portugal.
O gajeiro subiu ao mastro e respondeu:
- Não vejo terras de Espanha nem ares de Portugal, só vejo estarem três meninas debaixo de um laranjal.
- Essas três meninas, todas três são minhas filhas, todas três te as hei de dar. Uma é para te vestir, outra é para te calçar, a mais nova delas todas para contigo casar.
- Não lhe quero as suas filhas que lhe custaram a criar. Só quero a nau Catrineta para no mar navegar.
- A nau Catrineta não lhe a dou porque eu não lhe a posso dar. Porque ela é do rei, ao rei a vou entregar.
Assim termina a famosa viagem, embora saiba que pertence a uma grande odisséia.
E assim minha avó me contou.

Moral: “Espírito e consciência. Índole e inteligência.”
           “O bem não é essência, mas está acima dela em dignidade e poder.”

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