Era uma vez... Há muitos séculos passados,
saía de um certo porto, uma nau e sua tripulação em busca de novos mundos, de
fama e de riqueza.
Percorreram os quatro cantos
da terra, pois ainda não sabiam que a terra era redonda.
- Arriba, arriba gajeiro
aquele mastro real - dizia o capitão.
O gajeiro subia no grande
mastro à procura de um porto seguro, mas só encontrava água. E eles navegaram, e
navegaram tanto tempo que lhes faltava água e comida.
O gajeiro sempre mandava
mudar o rumo, mas era em vão.
Por fim, bebiam água
da chuva quando a tinham e começaram a comer até as tábuas do barco.
Na verdade, o gajeiro era o
diabo que embarcara com eles e vinha a lhes enrodilhar a viagem para que não
chegassem a lugar algum.
E dizia o capitão:
- Arriba, arriba gajeiro.
Mas a resposta era sempre a
mesma:
- Nada à vista capitão,
vamos mudar de rumo.
O desespero tomava conta dos
poucos valentes marinheiros que ainda restavam.
Algum tempo depois falava
novamente o capitão:
- Arriba, arriba gajeiro,
que Deus te há de ajudar.
Quando o capitão pronunciou
a palavra Deus, o diabo caiu ao mar.
Como nunca se preocupara em aprender a nadar e com a consciência pesada que tinha,
foi direto para o fundo.
A tripulação ainda tentou
resgatar o amigo, mas em vão pois ele desapareceu no mar. Então o capitão
nomeou o imediato para ser o novo gajeiro.
- Arriba, arriba gajeiro
àquele mastro real. Vê se vês terra de Espanha ou ares de Portugal.
O gajeiro subiu ao mastro e
respondeu:
- Não vejo terras de Espanha
nem ares de Portugal, só vejo estarem três meninas debaixo de um laranjal.
- Essas três meninas, todas
três são minhas filhas, todas três te as hei de dar. Uma é para te vestir,
outra é para te calçar, a mais nova delas todas para contigo casar.
- Não lhe quero as suas filhas
que lhe custaram a criar. Só quero a nau Catrineta para no mar navegar.
- A nau Catrineta não lhe a
dou porque eu não lhe a posso dar. Porque ela é do rei, ao rei a vou entregar.
Assim termina a famosa viagem, embora saiba
que pertence a uma grande odisséia.
E assim minha avó me contou.
Moral:
“Espírito e consciência. Índole e inteligência.”
“O
bem não é essência, mas está acima dela em dignidade e poder.”
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