domingo, 25 de novembro de 2012

Contos Infantis - A Princesa Encantada



Era uma vez ... Um príncipe, cujo nome era Girassol, de seu pai o rei Cravo, e de sua mãe a rainha Rosa.
O príncipe gostava muito de caçar, ou melhor, sair para a floresta. Quando fez vinte e um anos, ganhou uma espingarda de presente da sua madrinha, a fada Margarida.
Quando saía para caçar, andava o dia todo, comia frutos silvestres, bebia água das nascentes, local onde encontrava todas as aves e todos os bichos da floresta, filhotes de todas as espécies. Todos eram seus amigos. E olha que ele era caçador! Mas, a bem da verdade, se carregava a espingarda consigo, era para espantar as raposas e os lobos que faziam um grande estrago na fauna daquela floresta. Mas a natureza é sábia, todos os animais são importantes para o equilíbrio.
Ou o príncipe não sabia atirar, ou não queria saber mesmo, porque sua arma nunca matou nenhum bichinho.
Rei Cravo andava preocupado com as atitudes do príncipe. Ele queria que seu filho fosse um guerreiro para que, quando herdasse a coroa, pudesse defender o reino. Um dia o rei mandou chamar a fada madrinha para que ela mudasse a vida de Girassol.
A fada Margarida disse para o rei:
- Não podemos mudar a sina a uma pessoa, mas sim, lhe indicar o melhor caminho.
No outro dia bem cedo, o príncipe se preparava para sua caçada habitual, quando sua madrinha apareceu.
- Girassol trago aqui três pacotinhos e os três eu vou lhe dar. Porém, só os poderás abrir perto da água. Só perto de água, entendeu? Isso é muito importante.
E colocou os três pacotinhos na mochila do príncipe.
- Entendi minha madrinha, assim farei porque assim me pedes, mas confesso que já estou com vontade de abrir um agora.
- Não o faças, porque terás um grande desgosto.
E o príncipe partiu para mais um dia de aventura pelas trilhas da floresta. Depois de já ter percorrido uma boa distância mata adentro, o príncipe lembrou-se do conselho da madrinha: “Só perto da água”.
- O que será que tem dentro desses pacotinhos que minha madrinha me deu e que só podem ser abertos perto da água? - perguntava o príncipe, de si para si mesmo.
- Bolinhos salgados? Bolinhos doces? Só pode ser.
- Só perto da água? Que nada. Eu como um agora e bebo a água depois.
Encostou a arma na árvore, tirou a mochila das costas e pegou um pacotinho de dentro da mochila.
- Do que será este pacotinho? Deve ser um lanche bem gostoso - pensava ele - senão a minha madrinha não o iria me dar.
Mas quando abriu o pacotinho, a surpresa. O que saiu lá foi uma princesinha muito muito linda! Que logo lhe pedia:
- Dá-me água, senão eu morro. Dá-me água, senão eu morro. Dá-me água, senão eu morro.
O príncipe saiu a correr á procura de água. Procurou em toda a volta, mas não encontrou e, quando voltou, a princesinha estava morta. Ali abraçado a ela ele chorava:
- Não me deixes. Não morre não.
Mas nada podia fazer, já estava morta. Enterrou-a encostada a uma árvore, fez uma cruz de paus e foi-se embora chorando.
- Mas que estúpido que fui, se tivesse escutado os conselhos da minha madrinha minha princesa não estaria morta. Eu tinha justo que pegar o pacote onde estava a princesinha? E agora o que vou fazer com os outros dois pacotes? Aquele pacote tinha a princesa, o que haverá nos outros?
E a tentação voltou à sua cabeça:
- Não. Agora só vou abrir perto da água.
Andava a esmo pelo mato, estava completamente perdido. Ele que conhecia cada fonte, cada regato, já não encontrava nem o caminho de volta.
Preparou-se para comer. Encostado a uma árvore, tirou o lanche da sacola, olhou para os outros pacotes e pensou deviam conter alguma coisa para dar à princesa
- Não. Agora só vou abrir perto da água.
Começou a comer o lanche que levava, olhou para o pacotinho e disse:
- Este eu vou abrir. A princesinha já morreu mesmo! Agora não me interessa o que possa haver nestes pacotinhos.
E abriu o segundo. Saiu de lá outra princesinha, ainda mais bela que a primeira e pediu-lhe:
- Dá-me água, senão eu morro. Dá-me água, senão eu morro. Dá-me água, senão eu morro.
E o príncipe já sabendo de antemão o que ia acontecer, não quis deixá-la sozinha e abraçado a ela, tentava molhar-lhe os lábios com os seus próprios lábios.
- Nãooo! Não morre não.
Mas, a princesinha já estava morta.
O príncipe saiu arrasado daquele lugar. Como ele poderia imaginar que sua madrinha lhe pregaria uma peça dessas? Colocar duas princesinhas tão belas dentro de dois pacotinhos em sua mochila. Não, sua madrinha tinha sido cruel. Mas por que também não obedeceu às ordens?
- Não, eu não vou me perdoar. Não podia ter feito isso, minha madrinha me avisou...
Levantou a cabeça procurando se lembrar onde estava. Sim, agora sabia onde estava. E saiu em direção a um lugar bem distante, onde existia uma fonte. Quando chegou já era mais de meio dia.
Aproximou-se da água. A ansiedade para saber o que sua madrinha tinha preparado para ele estava deixando-o angustiado.
- O que será que este pacote contém?
Abriu-o com o coração pequenino, pequenino. Mas... Outra princesinha ainda mais bonita que as duas primeiras apareceu e pediu-lhe:
- Dá-me água, senão eu morro. Dá-me água, senão eu morro. Dá-me água, senão eu morro.
O príncipe estava tão ansioso que nem se lembrava que estava tão perto da fonte.
Quando a princesinha estava dando os últimos suspiros é que ele se lembrou da água.
- Queres água? Queres água?
Pegou a princesinha pela cintura e mergulhou-a na água. Era tanta a sua ansiedade em lhe dar água que quase a mata afogada. Quando a tirou da água ela agradeceu:
- Vossa Alteza é o meu príncipe, o meu Salvador.
O príncipe estava tão preocupado com a princesinha que lhe perguntou:
- Queres mais água? Tu queres mais água?
Ela aflita espondeu:
- Deus me livre! Já bebi água demais!
- Então fica aqui sentada ao pé da fonte, não sai deste lugar, que eu vou buscar uma carruagem para te levar. Não demoro. Quando quiseres água, é só abaixar e beber.
E saiu correndo como uma gazela.
Muitas pessoas iam buscar água àquela fonte. E todas se admiraram com a beleza daquela donzela ali sentada ao lado da bica d’água. Uma das pessoas que freqüentavam a fonte era uma feiticeira feia e muito má. Vendo aquela moça tão bela, ali sentada sozinha, foi conversar com ela:
- O que estás aqui a fazer assim sozinha, meu anjo?
A princesinha inocente, que nada conhecia das maldades do mundo, respondeu:
- Estou aqui à espera do meu príncipe que foi buscar uma carruagem para me levar, minha boa senhora.
- Aaah! O príncipe? Eu conheço o príncipe. Ele é muito meu amigo.
A princesinha muito contente por haver arranjado uma amiga para conversar, passava as mãos em seus longos cabelos dourados.
A feiticeira logo perguntou:
- Quer que eu a cate? Quer que eu a cate?
A princesa que nem sabia o que ela estava a falar, perguntou:
- Catar o quê?
- Catar piolhos - disse a feiticeira.
- Piolhos? Mas o que são piolhos?
- São uns bichinhos que você tem aí a rabear em sua cabeça.
- Bichinhos na minha cabeça?
- Sim - afirmou a feiticeira - e o príncipe não gosta de princesas piolhentas. Se ele souber que você tem piolhos, não vai chegar perto de você.
- Tira esses bichinhos de mim.
- Então deita a tua cabecinha no meu regaço.
A princesinha deitou a cabeça no colo da feiticeira que começou a alisar seus cabelos. A princesa fechou os olhos, sentindo um leve torpor. Nisso, a feiticeira pegou um alfinetinho de ouro, que sempre trazia consigo, espetou-o na cabeça da princesa, que se transformou numa pombinha branca, e voou.
Quando à tardinha o príncipe chegou com a carruagem, correu direto para a fonte. Mas não viu a princesa, viu apenas uma senhora sentada no mesmo lugar onde havia deixado sua amada. E lhe perguntou:
- Aqui neste mesmo lugar, eu deixei sentada uma princesinha. A senhora sabe me dizer para onde ela foi?
- Ora, meu príncipe querido! - disse a feiticeira - Não vá dizer que Vossa Alteza não me reconhece! Sou eu! Eu sou a princesa que à pouco deixaste aqui!
- Não, não pode ser! Ela era bem branquinha e você está queimada do sol.
- Ora meu querido! Se não querias que eu ficasse queimada, por que me deixaste ao sol?
E o príncipe, triste, levou para o palácio aquela que dizia ser a princesa que havia salvado.
Começaram os preparativos para o casamento. A feiticeira estava sempre a lembrar o príncipe para que abreviasse o dia. E o dia foi marcado. Só precisariam de dois meses para os preparos.
A noiva levantava ao meio dia, tinha criados para lhe levar o café à cama, para lhe lavar os pés, para colocar os sais para os seus banhos. Estava, sem dúvida, levando uma vida de princesa.
Contudo, o príncipe estava entristecido. Nunca mais visitara sua princesa, pois ela estava mudada, muito raivosa e exigente. Não! Aquela não podia ser a princesinha da fonte.
Na horta atrás do palácio, também acontecia algo diferente, que estava a chamar a atenção do hortelão. Nestes últimos dias, aparecia lá uma pombinha, todos os dias, ao pôr-do-sol, na mesma árvore, no mesmo galho, à mesma hora, e lhe dizia:
- Hortelão, hortelaria, como passa o príncipe com a sua noiva Maria?
A primeira e a segunda vez passaram. Mas depois de uma semana, o hortelão foi falar com o príncipe o que estava a acontecer na horta. E o príncipe mandou o hortelão dizer que passava bem e vivia alegre.
No outro dia à mesma hora, na mesma árvore, no mesmo galho, lá estava a pombinha:
- Hortelão, hortelaria, como passa o príncipe com a sua noiva Maria?
- Passa bem e vive alegre - respondeu o hortelão.
Porém, no outro dia, à mesma hora, apareceu novamente a pombinha:
- Hortelão, hortelaria, como passa o príncipe com a sua noiva Maria?
- Passa bem e vive alegre.
E no dia seguinte.
- Hortelão, hortelaria, como passa o príncipe com a sua noiva Maria?
- Passa bem e vive alegre.
O hortelão voltou a falar para seu amo que a pombinha continuava a aparecer na horta. O príncipe mandou que fizesse um laço de fita, e que o armasse no galho que ela costumava pousar, para a prender.
O hortelão assim o fez. Preparou o laço e à tardinha já estava com ele armado no galho em que a pombinha costumava pousar.
À mesma hora, lá chegou a pombinha.
- Hortelão, hortelaria, como passa o príncipe com a sua noiva Maria?
- Passa bem e vive. - E puxou o laço.
A pombinha voou para outro galho encostado aquele, e falou:
- Pouso aqui e pouso ali, laço de fita não é para mim - e voou.
O hortelão foi até o príncipe e contou o que a pombinha lhe dissera. Então o príncipe ordenou:
- Vamos fazer um laço de prata.
No outro dia eles armaram um laço de prata. À mesma hora, a pombinha chegou e falou:
- Hortelão, hortelaria, como passa o príncipe com a sua noiva Maria?
- Passa bem e... - o hortelão puxou o laço.
A pombinha voou, pousou em outro galho e falou:
- Pouso aqui e pouso ali, laço de prata não é para mim - e foi-se embora.
O hortelão voltou ao príncipe, dizendo-lhe que laço de prata não era para ela. O príncipe ordenou que se fizesse então um laço ouro.
No outro dia o hortelão armou o laço de ouro. À mesma hora chegou a pombinha e pousou no mesmo galhinho.
- Hortelão, hortelaria, como passa o príncipe com a sua noiva Maria?
- Passa bem... - e puxou o laço.
A pombinha ainda tentou, mas desta vez não escapou. O hortelão saiu a correr com a pombinha nas mãos e foi entregá-la a seu amo:
- Agora nós conseguimos alteza.
O príncipe prendeu-a numa gaiola e levou-a para seu quarto de dormir. A pombinha ficou muito triste, estava presa, sem nunca ter feito mal a ninguém. E arrependeu-se do que fez. Pelo menos, antes era livre para voar. Agora estava presa em uma gaiola e, pior ainda, dentro de um quarto.
Porém, o príncipe tinha certeza que só assim a pombinha estava segura. A princesa sua noiva, que já sabia da existência de uma pomba que andava a rondar o jardim, falou ao príncipe que tinha sonhado com ele e que tinha ficado grávida. Que este era o filho dos seus sonhos, e agora estava com desejo de comer carne de pomba.
O príncipe falou que o sonho era somente dela, não dele. Que uma gravidez só se realiza, quando é sonhada a dois.
Mas como todos faziam à princesa as vontades, a pombinha não iria durar muito. Assim, era ele quem cuidava da pomba, que lhe dava comida, água e que lhe fazia carinho.
Certo dia, o príncipe notou que a pombinha dava uma sacudida quando ele acariciava sua cabeça. Passou o dedo novamente, agora mais atento, e notou algo diferente, um pequenino caroço. Examinando o que poderia ser aquilo, viu um pequeno ponto dourado. Puxou-o, e tirou um alfinete que estava cravado na cabeça da pombinha. Era o alfinete de ouro da feiticeira. E no mesmo instante a pomba se transformou na princesa Violeta, a princesinha da fonte.
Agora ela estava segura nos braços de seu amado.
O príncipe pegou o alfinete e foi até onde estava a sua noiva feiticeira. Fingindo fazer-lhe um carinho, espetou o alfinete em sua cabeça. A feiticeira virou um corvo e voou. Desta vez o feitiço virou contra o feiticeiro.
Como o dia do casamento estava marcado, continuou marcado para o mesmo dia.  E uma semana depois, lá estava o príncipe Girassol em frente ao altar, à espera de sua noiva Violeta.
E nesse dia, durante a festa, apareceu um corvo voando muito alto por cima do palácio.
- Quác. Quác. Quác. Quác.
Era a feiticeira que não se atrevia a baixar o vôo.
Girassol e Violeta tiveram muitos filhos e foram felizes para sempre.

Moral: “A inveja é companheira da glória e da virtude. Ela procura destruir a virtude e o mérito alheio”.

        

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Um comentário:

  1. Senhor, contando essa história agora pra minha filha, lembrei me de quando era criança que minha vó contava para mim... Voltei por alguns minutos no tempo... Que bom reviver esse momento, mesmo que em pensamentos.

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