domingo, 16 de dezembro de 2012

Contos Antigos - O Carneirinho Branco



Eram altas horas, a lua cheia transmitia o mais belo luar a aquela linda noite gelada do mês de janeiro, quando o meu avô José Ribeiro Salvador e minha avó Maria dos Santos chegaram a casa.
Vinham de uma feira em um lugar distante e minha avó tinha um açafate à cabeça. Eles entraram em casa e trancaram o portão. Um portão de madeira fechado de baixo em cima, por onde passava o carro de bois. O pátio da casa não era grande, mas era fechado com a parede da casa vizinha e com muro ao fundo. Tudo isso eu conheci, só não conheci meu avô.
Para surpresa de ambos, o que encontraram no pátio... Um carneirinho branco que corria de um lado para o outro. Eles pensaram que era um carneiro alongado de algum rebanho.
Meu avô ajudou minha avó a arriar o açafate e falou:
- Cerca de lá Maria. Cerca, cerca esse carneirinho que é para o batizado do nosso Manuel (Meu tio Manuel era o filho mais velho).
Meus avós, com um pedaço de pau cada um, começaram a cercar o carneiro da parte mais larga do pátio para o lado do portão. A entrada fazia parte da residência, de um lado, moradia, do outro, celeiro.
Quando o carneiro chegou ao portão, meu avô e minha avó ficaram todos felizes. Por ali ele não tinha como escapar. Nem por ali nem por lugar nenhum. A festa do batizado estava garantida. E eles foram chegando cada vez mais perto...
Quando meu avô deu o bote para pegar o carneiro, este passou por debaixo do portão, por um lugar que não dava para enfiar nem a palma da mão. Meu avô abriu o portão mais que depressa e viu o ti’ João Toito a pegar a cântara e perguntou-lhe:
- Aonde vais João?
- Vou buscar água à fonte...

Nota: Este não era um conto, era considerado um caso verdadeiro e contado por minha avó. O tal de João Toito era tido como lobisomem e a lenda do lobisomem na minha terra (Portugal) era diferente da que vim a aprender mais tarde no Brasil.
O lobisomem, assim como as bruxas, era uma pessoa que nascia predestinada a cumprir essa sina. Em noites de lua cheia ele saía de casa à meia noite e rolava no rasto do primeiro animal que encontrasse. E ali se transformava nesse animal.


        

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