Era uma vez... Um reino muito pequenino que
se chamava Samoucal. Esse reino só existia porque seu povo era muito guerreiro.
O reino vizinho, do qual tinha se separado, era enorme e só o deixava existir
porque achava impossível dominar aquele povo. Pelo menos enquanto o general Dom
Caio vivesse.
Foram inúmeras as invasões e todas
terminaram com a fuga dos invasores e general Dom Caio e seus guerreiros
correndo atrás deles. Sempre que havia uma invasão, o general Dom Caio montado
em seu enorme cavalo branco, empunhava a espada e dizia:
- Avante meus soldados que por muitos que
eles sejam nunca valerão um de nós.
Ele partia à frente fazendo um enorme
estrago no exército hostil que terminava sempre com os invasores em fuga.
Mas numa dessas incursões feitas pelo
general, ele saiu ferido e veio a falecer.
O inimigo não sabia, mas o reino de Samoucal
estava à deriva. O povo tentava se organizar, mas era difícil sem o seu
general.
Tudo ficou tranqüilo durante algum tempo.
Até o reino vizinho desconfiar, pois já não se falava mais em Dom Caio. E foi com
pés de veludo que a tropa inimiga invadiu novamente o reino.
Samoucal tentava reorganizar o seu exército,
mas sem seu general não era fácil.
- Nós temos que achar um novo Dom Caio, nós
temos que achar um novo Dom Caio - dizia um dos comandantes da pequenina tropa.
O outro exército já estava em marcha e o
reino ainda procurava por um substituto para o general. Mas já não havia mais
tempo a perder.
A tropa foi à pequenina capela do lugar para conversar com o padre, que lhes aconselhou:
A tropa foi à pequenina capela do lugar para conversar com o padre, que lhes aconselhou:
- Tenham fé meus filhos, tenham muita fé.
Agora só a fé nos pode nos salvar.
Olhando bem para o padre, um dos guerreiros
falou:
- Pois o senhor vai ter que ter muita fé
mesmo. O senhor é o único aqui parecido com Dom Caio.
- Eu não, eu não. Eu nem sei montar num
cavalo.
Não adiantaram os reclamos do pobre pároco.
Vestiram-no com a roupa do general, puseram-lhe o capacete e colocaram-no em cima de um
enorme cavalo branco. Amarraram uma espada em sua mão, deram um tapa no traseiro
do animal e, este que estava acostumado às escaramuças, partiu a galope em
direção ao inimigo.
O padre com medo de cair da cela,
segurava-se no pescoço do cavalo e gritava:
- Eu caio, eu caio, eu caio, eu caio, eu
caio...
Os cavaleiros partiram todos a galope
atrás dele.
Quando o inimigo viu a tropa vindo em
sua direção e Dom Caio à frente gritando, não tiveram dúvida:
- Vamos fugir, amos fugir que aí vem Dom Caio.
Saíram em debandada e só foram parar bem
longe dali já em suas terras.
E por muitos anos o pequenino reino de
Samoucal viveu em paz.
Moral: “Que me odeiem, contanto que me temam”.
“Cria a fama e deita-te na cama”.
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