Um dia estava minha filha a usar uma linda camiseta que tinha estampada na frente à figura de duas crianças. A criança menor chorava e tinha a mão sobre o rosto. A segunda criança um pouco maior, tinha a mão sobre ela e dava a impressão de estar a fazer-lhe alguma pergunta. E minha filha me perguntou:
- Paizinho, o
que esta menina está a dizer à outra que está a chorar?
E eu lhe
respondi:
- Essa menina
está a perguntar à criancinha:
“ - Por que choras tu, Anjinho?
- Tenho fome e tenho frio - respondeu a outra.
E a menina perguntou novamente:
- A tua mãe? Por onde anda a tua mãe?
- A minha mãe já não vive. Nunca a vi em minha vida, vivo
triste assim perdida. Decerto, mãe... nunca tive...”
Isso despertou
um sentimento tão forte e tão nobre em minha menina, que esta camiseta ganhou
vida, ganhou alma. Ela jamais conseguiu se separar daquela imagem. Já se
passaram mais de trinta anos, e a minha filha ainda guarda-a como a
mais bela relíquia.
Moral: “Também de asas
precisa a criancinha. Quem dar-lhe-as
souber, bendito seja”.
Nota: Saudade, uma palavra
portuguesa que não tem tradução. É fácil ser entendida, difícil ser explicada.
Um bom sentimento (uma luz que brilha
em nossa mente, um desejo) causado pela dor da ausência, ao contrário da
nostalgia, nos deixa saudade, não amargura.
Direitos autorais: Esta obra, ou
parte dela, pode ser reproduzida, desde que citada à fonte de origem.
Boa noite Sr. Ramiro, ...muito bonita a estória,
ResponderExcluirass. João Marcos Pinheiro