sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Contos Antigos


Quem conta um conto aumenta um ponto... isso é verdade. Muitos contos que aprendi quando criança e, depois, escutei narrados por outras pessoas, tinham pontos bem diferentes. Os contos, antigamente, eram passados de boca em boca, não havia rádio nem qualquer outro meio de comunicação. O povo era geralmente analfabeto, mas existiam sempre os contadores. E era no borralho, ao calor da fogueira, onde tudo acontecia.
O borralho antigo é a lareira de hoje, diferente apenas em seus aparatos e suas dimensões. Era rústico, chão de terra batida ou massa de areia e cal. Havia uma pilheira de cada lado onde nos sentávamos. Lá bem acima do fogo, já na parte da chaminé, ficava o cambo, uma espécie de varal onde pendurava-se as lingüiças, protegidas pelo ar quente e pela fumaça.
Ainda me lembro do cambeiro, talvez um dos artefatos de madeira mais antigos que existia na casa de minha avó que eu ainda cheguei a conhecer. Era um pedaço de barrote que sobressaía da parede em sentido oblíquo, onde as panelas ficavam penduradas ao fogo por um gancho de ferro. Depois vieram as trempes de ferro, onde colocávamos as panelas em cima.
O borralho era, talvez, a parte mais importante da casa. À noite a reunião da família ao calor da fogueira, eu, meus irmãos, amigos e visinhos, escutávamos as mais delirantes estórias. E ficávamos fascinados.
Minha avó e minha mãe eram excelentes contadoras de estórias. Todas sempre começavam com o mesmo bordão: “Era uma vez”... Elas não contavam estórias, elas contavam casos como se fossem verdadeiros. E nós ficávamos aterrorizados. Geralmente eram violentos, onde o herói matava por motivos fúteis. Estórias próprias para o povo da idade média, onde os poderosos exércitos saíam pelo mundo a destruir nações e eram recebidos como heróis em sua terra. Prática essa, que hoje nós repudiamos.
Em Portugal existiam muitos contos antigos que eram relatados como se fossem verdadeiros.


Direitos autorais: Esta obra, ou parte dela, pode ser reproduzida, desde que citada à fonte de origem. 


Veja também:


Contos Antigos - Canção das Rosas - http://ramirodsalvador.blogspot.com.br/2013/08/contos-antigos-cancao-das-rosas.html

Contos Antigos - A Velha e o Vento - http://ramirodsalvador.blogspot.com.br/2012/10/a-velha-e-o-vento.html

Contos Antigos - O Carneirinho Branco - http://ramirodsalvador.blogspot.com.br/2012/12/contos-populares-o-carneirinho-branco.html

Contos Antigos – O Linho e a Água - http://ramirodsalvador.blogspot.com.br/2013/09/contos-antigos-o-linho-e-agua.html

Contos Antigos - O Milagre das Rosas http://ramirodsalvador.blogspot.com.br/2013/08/contos-antigos-o-milagre-das-rosas.html

Contos Antigos - Bruxas e Diabos - http://ramirodsalvador.blogspot.com.br/2013/02/contos-antigos-bruxas-e-diabos.html

Contos Antigos - A Nau Catrineta - http://ramirodsalvador.blogspot.com.br/2013/04/a-nau-catrineta.html

Contos Antigos - A Procissão dos Anjinhos - http://ramirodsalvador.blogspot.com.br/2013/05/contos-antigos-procissao-dos-anjinhos.html

Contos Antigos - O Beato - http://ramirodsalvador.blogspot.com.br/2013/10/contos-antigos-o-beato.html

 


 


7 comentários:

  1. Muito bonitinho, viu. Eu sempre adorei contos antigos e pelo que pude ver no seu site tem diversos contos sobre esse tema. Continue a escrever e boa sorte.

    ResponderExcluir
  2. Parabéns, infelizmente os valores tem se perdido ao longo dos anos, embora nossos antepassados não tivessem muito estudo, suas historias sempre carregavam grandes lições. Ha pouco estava relembrando o conto do doutor e o caipira, que ambos estavam em uma canoa e o doutor se gabava por saber monte de coisas e perguntava ao caipira, se ele sabia e o caipira respondia "isso num sei não sinhô" e assim seguia a historia ate o momento que a canoa afunda e o caipira sai nadando e o doutor não sabe nadar... Meu pai contava esta história e agora não me recordo perfeitamente e não encontrei em lugar algum na internet. Muito triste perder toda essa cultura.

    ResponderExcluir
  3. Amei,eu quero um livro desses contos

    ResponderExcluir
  4. Amei,eu quero um livro desses contos

    ResponderExcluir