Quem conta um conto
aumenta um ponto... isso é verdade. Muitos contos que aprendi quando criança e,
depois, escutei narrados por outras pessoas, tinham pontos bem diferentes. Os
contos, antigamente, eram passados de boca em boca, não havia rádio nem qualquer
outro meio de comunicação. O povo era geralmente analfabeto, mas existiam
sempre os contadores. E era no borralho, ao calor da fogueira, onde tudo
acontecia.
O borralho antigo é a
lareira de hoje, diferente apenas em seus aparatos e suas dimensões. Era rústico,
chão de terra batida ou massa de areia e cal. Havia uma pilheira de cada lado
onde nos sentávamos. Lá bem acima do fogo, já na parte da chaminé, ficava o
cambo, uma espécie de varal onde pendurava-se as lingüiças, protegidas pelo ar
quente e pela fumaça.
Ainda me lembro do
cambeiro, talvez um dos artefatos de madeira mais antigos que existia na casa
de minha avó que eu ainda cheguei a conhecer. Era um pedaço de barrote que
sobressaía da parede em sentido oblíquo, onde as panelas ficavam penduradas ao
fogo por um gancho de ferro. Depois vieram as trempes de ferro, onde
colocávamos as panelas em cima.
O borralho era, talvez,
a parte mais importante da casa. À noite a reunião da família ao calor da
fogueira, eu, meus irmãos, amigos e visinhos, escutávamos as mais delirantes
estórias. E ficávamos fascinados.
Minha avó e minha mãe
eram excelentes contadoras de estórias. Todas sempre começavam com o mesmo
bordão: “Era uma vez”... Elas não contavam estórias, elas contavam casos como
se fossem verdadeiros. E nós ficávamos aterrorizados. Geralmente eram
violentos, onde o herói matava por motivos fúteis. Estórias próprias para
o povo da idade média, onde os poderosos exércitos saíam pelo mundo a destruir
nações e eram recebidos como heróis em sua terra. Prática essa, que hoje nós
repudiamos.
Em Portugal existiam muitos contos antigos que eram relatados como se
fossem verdadeiros.
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Veja
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Muito bonitinho, viu. Eu sempre adorei contos antigos e pelo que pude ver no seu site tem diversos contos sobre esse tema. Continue a escrever e boa sorte.
ResponderExcluirLindo .......
ResponderExcluirParabéns, infelizmente os valores tem se perdido ao longo dos anos, embora nossos antepassados não tivessem muito estudo, suas historias sempre carregavam grandes lições. Ha pouco estava relembrando o conto do doutor e o caipira, que ambos estavam em uma canoa e o doutor se gabava por saber monte de coisas e perguntava ao caipira, se ele sabia e o caipira respondia "isso num sei não sinhô" e assim seguia a historia ate o momento que a canoa afunda e o caipira sai nadando e o doutor não sabe nadar... Meu pai contava esta história e agora não me recordo perfeitamente e não encontrei em lugar algum na internet. Muito triste perder toda essa cultura.
ResponderExcluirgostei
ResponderExcluirAmei,eu quero um livro desses contos
ResponderExcluirAmei,eu quero um livro desses contos
ResponderExcluirQ posta
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