Era uma vez... Uma senhora bem velhinha
chamada Eulália que, todas as manhãs, ficava ao sol, sentada em um banquinho,
em frente de casa. Costumava ficar ali a pentear seus belos cabelos cor de
neve. Esse hábito ela tinha desde quando era mocinha.
Por ali passava todos os dias o senhor
Dr. Juiz João José da Rosa Pinto. Era o caminho que ele fazia nas suas
caminhadas matinais. Passava pela praça, ia até à fonte da bica e voltava pela
rua da forja. E ele cumprimentava:
- Bom dia senhora Eulália.
A velhinha respondia:
- Bom dia senhor Dr. Juiz João José da
Rosa Pinto. Que Deus o conserve por muitos e muitos anos.
No outro dia, lá estava a bondosa senhora
a pentear seus cabelos. E o juiz cumprimentava:
- Tenha um bom dia senhora Eulália.
Senhora Eulália respondia:
- Bom dia senhor Dr. Juiz João José da
Rosa Pinto. Que Deus o conserve por muitos e muitos anos.
E o juiz saía todo envaidecido. Dava sua
volta costumeira e esperava ansioso o novo dia.
- Bom dia senhora Eulália.
- Bom dia senhor Dr. Juiz João José da
Rosa Pinto. Que Deus o conserve por muitos e muitos anos.
O cumprimento da senhora Eulália deixava
de fato o juiz bem mais humorado. Se por algum motivo, um dia não encontrava a
boa senhora virava o capeta em sua repartição.
- Bom dia senhora Eulália.
- Bom dia senhor Dr. Juiz João José da
Rosa Pinto. Que Deus o conserve por muitos e muitos anos.
E assim passaram os dias, até que o juiz
resolveu conversar com sua amiga de cortesia.
- Bom dia senhora Eulália.
- Bom dia senhor Dr. Juiz João José da
Rosa Pinto. Que Deus o conserve por muitos e muitos anos.
- Faz tantos anos que nós nos conhecemos
e a senhora sempre a pedir que Deus me conserve por muitos e muitos anos. Pelo
visto a senhora gosta muito de mim, não é minha senhora?
- Não, senhor Dr. Juiz João José da Rosa
Pinto. É que desde os tempos em que eu era novinha, sentada aqui no meu
banquinho, vi passar por esta rua três juízes: O primeiro era dez mil diabos. O
segundo era vinte mil diabos. O terceiro, que é o senhor meritíssimo juiz, é
trinta mil diabos. Por isso desejo que Deus o conserve por muitos e muitos
anos, pois não quero chegar a conhecer o próximo.
O juiz saiu dali inconsolado, continuou a
fazer seus passeios matinais, mas nunca mais passou naquela rua.
Moral:
“Depois de mim virá, quem de mim bom fará”.
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